O PRAZER COMO CAMINHO PARA A FELICIDADE EM EPICURO | PROFESSOR CRISTIANO



Epicuro: o caminho do prazer

Vimos nas
aulas anteriores que apesar de possuírem abordagens distintas, tanto Platão
como

Aristóteles valorizam o papel da razão
para obter uma vida feliz. Nesta aula eu vou falar sobre um
filósofo que possuía uma abordage distinta, Epicuro. Quem já estudou história
da filosofia, ao ouvir falar de
Epicuro sabe que sua filosofia é conhecida como hedonista, pois ele
recomendava o caminho do
prazer para obtenção da felicidade. Para ele felicidade é
o prazer resultante da
satisfação dos desejos, ele tinha essa concepção pois ele partia de um ponto de vista
materialista, ou seja, para ele tudo no mundo é
matéria e, no ser humano, isso
incluiria a
sensação e a consequente a
felicidade. Por isso, para ele, ser feliz é
sentir prazer.



Ele
vai partir de observações banais, já presentes no senso comum, como por exemplo
a de que todos os seres buscam o prazer e fogem da dor (e a própria ausência de
dor seria um tipo de prazer), por isso, ele defende que para sermos felizes, nós
devemos gerar as condições materiais e psicológicas que nos permitam experimentar
apenas o prazer na vida.
Para
isso ele propôes algumas estratégias como:
1)      
ELIMINAR CERTAS CRENÇAS
2)      
ELIMINAR OU MODERAR
OS DESEJOS
3)      
AGIR COM PRUDÊNCIA
RACIONAL
 
ELIMINAR CERTAS CRENÇAS

Vocês se
lembram da segunda aula dessa série sobre felicidade na qual eu falava do termo
eudaimonia que é sinônimo de felicidade e que pressupunha que a felicidade
dependia não apenas do empenho humano mas da vontade dos deuses? Pois é, para
ele uma das principais causas de angústia e infelicidade são as
preocupações religiosas e as superstições impostas ao seres
humanos  que viviam com o medo de que
forças divinas (acaso, fortuna) interferissem em suas vidas, mudando sua sorte
ou tirando-lhes os seres queridos.

Para ele esse sofrimento pode ser evitado se as pessoas compreenderem que o
universo inteiro é constituído de matéria. Ele parte da concepção atomista de
Demócrito e vai afirmar que tudo o que acontece pode ser explicado pelo
movimento aleatório dos
átomos
,
que produz forças cegas e indiferentes ao destino humano. Com essa compreensão,
as pessoas também se livrariam da angústia e da infelicidade causadas pelo
medo da morte. Esse trecho vale a
pena a gente ler.
ACOSTUMA-TE À IDEIA DE QUE A MORTE
PARA NÓS NÃO É NADA, VISTO QUE TODO BEM E TODO MAL RESIDEM NAS SENSAÇÕES, E A
MORTE É JUSTAMENTE A PRIVAÇÃO DAS

SENSAÇÕES. A CONSCIÊNCIA CLARA DE QUE A MORTE NÃO SIGNIFCA NADA PARA NÓS
PROPORCIONA A FRUIÇÃO DA VIDA EFÊMERA, SEM QUERER ACRESCENTAR-LHE TEMPO INFNITO
E ELIMINANDO O DESEJO DE IMORTALIDADE. [...] QUANDO ESTAMOS VIVOS, É A MORTE
QUE NÃO ESTÁ PRESENTE; AO CONTRÁRIO, QUANDO A MORTE ESTÁ PRESENTE, NÓS É QUE NÃO
ESTAMOS. (
CARTA SOBRE A FELICIDADE [A MENECEU],

ELIMINAR OU MODERAR OS DESEJOS

Ele recomendava
que as pessoas eliminassem todos os desejos desnecessários e se permitissem

apenas os naturais e necessários, mesmo assim com moderação, pois quem espera
demais acaba se decepcionando diante do que alcança.
Por
isso seria necesssário fazer uma distinção entre os desejos
NATURAIS
E NECESSÁRIOS
– como os desejos de comer, beber e dormir;

NATURAIS E
DESNECESSÁRIOS
– como os desejos de comer alimentos refinados, tomar bebidas
especiais e caras e dormir em lençóis luxuosos etc. Ou seja, são os mesmos
desejos, mas acrescidos de algo que seria fútil ou substituível.

NÃO
NATURAIS E DESNECESSÁRIOS
– como os desejos de riqueza, fama e poder. Hoje a gente poderia
incluir as redes sociais, a supervalorização da aparência...
Então,
distinguindo esses prazeres as pessoas aprenderiam a se contentar com pouco,
e com a expectativa
reduzida, não haveria decepção. Por isso, um grande prazer pode vir de um
simples copo de água, ou de um passeio ao ar livre. Aqui eu peço licença para
declamar uma singela poesia de minha autoria que descreve prazeres simples que
poderiam ser tomados como contributos para 
a felicidade:
.
Para ele a pessoa pode ter o
prazer eventual de um banquete ou de um cargo elevado, mas não deveria desejar
sempre isso, pois, uma hora, vai acabar vindo a insatisfação, o desprazer, a
infelicidade.

AGIR COM PRUDÊNCIA RACIONAL

Como  vimos na estratégia anterior nem todos os
prazeres contribuem para alguns prazeres são superiores a outros. Por isso, Epicuro
recomendava agir com
prudência racional, isto é, avaliar a ação de cada um deles.

Alguns prazeres são mais duradouros e encantam o espírito, como a boa
conversação, a contemplação das belas artes e a audição de uma boa música. Já
outros, são movidos pela explosão das paixões, são muito intensos e imediatos, mas
perdem sua força com o passar do tempo. Ou seja, são efêmeros e fugazes apesar
de serem intensos.
Por
isso ele aconselha um discernimento para fazer uma escolha prudente e racional
dos prazeres, evitando aqueles que podem produzir infelicidade.
Veja
bem, o fato de Epicuro defender uma concepção hedonista, ele não está dizendo
que devemos ser escravos dos prazeres. ´É preciso conquistarmos a
autarquia, isto é, o governo da
própria vida, sem depender de elementos externos. e por ela  chegaremos à
ataraxia, palavra de origem grega que designa o
estado de imperturbabilidade da alma .

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